O
Dia Internacional das Operárias
V. I. Lenine
Escrito em 1921, apareceu publicado em 8 de Março de 1921 no suplemento ao número 51 do Pravda, com a assinatura N. Lenine.
O principal e o fundamental do bolchevismo e da Revoluçom de Outubro
na Rússia consiste precisamente na incorporaçom à política
dos que sofriam maior opressom sob o capitalismo. Os capitalistas oprimiam-nos,
enganavam-nos e saqueavam-nos com monarquia e com repúblicas democráticas
burguesas. Esta opressom, este engano, este saque do trabalho do povo polos
capitalistas eram inevitáveis enquanto a propriedade privada sobre
a terra e as fábricas existisse.
A essência
do bolchevismo, a essência do Poder soviético, radica em concentrar
a plenitude do poder estatal em maos das massas trabalhadoras e exploradas,
desmascarando a mentira e a hipocrisia da democracia burguesa e abolindo a
propriedade privada sobre a terra e as fábricas. Estas massas tomam
a seu cargo a política, quer dizer, a tarefa de edificar umha nova
sociedade. A tarefa é difícil, mas nom há outra saída
-nom pode haver outra saída- da escravatura capitalista.
Nom se pode incorporar
as massas à política sem incorporar as mulheres. Porque, sob
o capitalismo, a metade feminina do género humano é duplamente
oprimida. A operária e a camponesa som oprimidas polo capital, e ademais,
inclusive nas repúblicas burguesas mais democráticas nom tenhem
plenitude de direitos, umha vez que a lei lhes nega a igualdade com o homem.
Isto, em primeiro lugar, e em segundo lugar -o que é mais importante-,
permanecem na "escravatura caseira", som "escravas do lar",
vivem abafadas polo labor mais mesquinho, mais ingrato, mais duro e mais embrutecedoro:
o da Cozinha e, em geral, o da economia doméstica familiar individual.
A Revoluçom
bolchevique, soviética, corta as raízes da opressom e da desigualdade
da mulher tam profundamente como nom ousou cortá-las jamais um só
partido nem umha só revoluçom no mundo. No nosso país,
na Rússia Soviética, nom ficárom nem rastos da desigualdade
da mulher e o homem perante a lei. Umha desigualdade especialmente repulsiva,
vil e hipócrita no direito matrimonial e familiar, a desigualdade no
referente à criança, foi eliminada totalmente polo Poder soviético.
Isto constitui
tam só o primeiro passo para a emancipaçom da mulher. Mas nengumha
república burguesa, nem a mais democrática, se atreveu nunca
a dar nem que seja este primeiro passo. Nom se atreveu por temor ante a sacrossanta
propriedade privada.
O segundo passo,
o principal, foi a aboliçom da propriedade privada sobre a terra e
as fábricas. Assim, e unicamente assim, abre-se o caminho para a emancipaçom
completa e efectiva da mulher, para a sua libertaçom da "escravatura
caseira", mediante o passo da pequena economia doméstica individual
à grande e socializada.
O tránsito
é difícil, pois se trata de transformar as "normas"
mais arreigadas, rotineiras, rudes e ossificadas (para dizer verdade, som
vergonha e selvagismo, e nom "normas"). Mas o tránsito começou,
a obra pujo-se em andamento, entramos no novo caminho.
E no Dia Internacional
das Operárias, em inumeráveis reunions de trabalhadoras de todos
os países do mundo ressonárom saudaçons à Rússia
Soviética, que empreendeu umha obra difícil e pesada até
o inaudito, mas grande, de transcendência universal, verdadeiramente
libertadora. Ressonárom apelos optimistas, exortando a nom desfalecermos
perante a reacçom burguesa, brutal e amiúde feroz. Quanto mais
"livre" ou "democrático" um país burguês
for, tanto mais brutalidades e ferocidades comete a banda capitalista contra
a revoluçom dos operários; a República democrática
dos Estados Unidos da Norteamérica é, a este respeito, um exemplo
ilustrativo. Mas o operário acordou já em massa. A guerra imperialista
acordou definitivamente as massas adormecidas, sonolentas e rotineiras tanto
na América como na Europa e na atrasadas Ásia.
Quebrou o gelo
em todos os confins do mundo. A libertaçom dos povos do jugo do imperialismo,
a libertaçom dos operários e das operárias do jugo do
capital avança incontenivelmente. Impulsam-nas dezenas de centos de
milhons de operários e operárias, de camponeses e camponesas.
E por isso a causa da emancipaçom do trabalho do jugo do capital triunfará
no mundo inteiro.
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