SOBRE AS GREVES. V. I. Lenine
Escrito em fins de 1899 e publicado pola primeira vez em 1924.
Nos últimos anos, as greves operárias som extraordinariamente
freqüentes na Rússia. Nom existe nengumha província industrial onde nom
tenha havido várias greves. Quanto às grandes cidades, as greves nom cessam.
Compreende-se, pois, que os operários conscientes e os socialistas se coloquem
cada vez mais amiúde a questom do significado das greves, das maneiras de
realizá-las e das tarefas que os socialistas se proponhem ao participarem
nelas.
Em primeiro lugar, é preciso ver como se explica o nascimento
e a difusom das greves. Quem se lembra de todos os casos de greve conhecidos
por experiência própria, por relatos de outros ou através dos jornais, verá
logo que as greves surgem e se expandem onde aparecem e trabalham centenas
(e, às vezes, milhares) de operários; aí dificilmente se encontrará umha
fábrica em que nom tenha havido greves; quando eram poucas as grandes fábricas
na Rússia, rareavam as greves; mas visto que elas crescem com rapidez tanto
nas antigas localidades fabris como nas novas cidades e aldeias industriais,
as greves tornam-se cada vez mais freqüentes.
Por que a grande produçom fabril leva sempre às greves?
Isso se deve ao facto de que o capitalismo
leva, necessariamente, à luita dos operários contra os patrons, e quando
a produçom se transforma numha produçom em grande escala, essa luita converte-se
necessariamente em luita grevista.
Denomina-se capitalismo a organizaçom da sociedade em
que a terra, as fábricas, os instrumentos de produçom, etc., pertencem a
um pequeno numero de latifundiários e capitalistas, enquanto a massa do
povo nom possui nengumha ou quase nengumha propriedade e deve, por isso,
alugar a sua força de trabalho. Os latifundiários e os industriais contratam
os operários, obrigando-os a produzir tais ou quais artigos, que eles vendem
no mercado. Os patrons pagam aos operários exc1usivamente o salário imprescindível
para que estes e sua família mal possam subsistir, e tudo o que o operário
produz acima dessa quantidade de produtos necessária para a sua manutençom
o patrom embolsa: isso constitui o seu lucro. Portanto, na economia capitalista,
a massa do povo trabalha para outros, nom trabalha para si, mas para os
patrons, e fai-no por um salário: compreende-se que os patrons tratem sempre
de reduzir o salário: quanto menos entreguem aos operários, mais lucro lhes
sobra. Em compensaçom, os operários tratam de receber o maior salário possível,
para poder sustentar a sua família com umha alimentaçom abundante e sadia,
viver numha boa casa e nom se vestir como mendigos, mas como se veste todo
mundo. Portanto, entre patrons e operários há umha constante luita polo
salário: o patrom tem liberdade de contratar o operário que quiger, polo
que procura o mais barato. O operário tem liberdade de alugar-se ao patrom
que quiger, e procura o que paga mais. Trabalhe o operário na cidade ou
no campo, alugue os seus braços a um latifundiário, a um fazendeiro rico,
a um contratista ou a um industrial, sempre regateia com o patrom, luitando
contra ele polo salário.
Mas, pode o operário, por si só, sustentar essa luita?
É cada vez maior o numero de operários: os camponeses arruinam-se e fogem
das aldeias para as cidades e para as fábricas. Os latifundiários e os industriais
introduzem máquinas, que deixam os operários sem trabalho. Nas cidades aumenta
incessantemente o número de desempregados, e nas aldeias o de gente reduzida
a miséria: a existência de um povo faminto fai baixarem ainda mais os salários.
É impossível para o operário luitar sozinho contra o patrom. Se o operário
exige maior salário ou nom aceita a sua rebaixa, o patrom responde: vaia
para outro lugar, som muitos os famintos que esperam à porta da fabrica
e ficarám contentes em trabalhar, mesmo que por um salário baixo.
Quando a ruína do povo chega a tal ponto que nas cidades
e nas aldeias há sempre massas de desempregados. quando os patrons amealham
enormes fortunas e os pequenos proprietários som substituídos polos milionários,
entom o operário transforma-se num homem absolutamente desvalido diante
do capitalista. O capitalista obtém a possibilidade de esmagar por completo
o operário, de condená-lo à morte num trabalho de forçados, e nom só ele,
como também sua mulher e seus filhos. Com efeito, vejam as indústrias em
que os operários ainda nom conseguírom ficar amparados pola lei e nom podem
oferecer resistência aos capitalistas, e comprovarám que a jornada de trabalho
é incrivelmente longa, até de 17 a 19 horas. que criaturas de cinco ou seis
anos executam um trabalho extenuante e que os operários passam fame constantemente,
condenados a umha morte lenta. Exemplo disso é o caso dos operários que
trabalham a domicílio para os capitalistas: mas, qualquer operário lembrará-se
de muitos outros exemplos! Nem mesmo na escravidom e sob o regime de escravidom
existiu umha opressom tam terrível do povo trabalhador como a que sofrem
os operários quando nom podem opor resistência aos capitalistas nem conquistar
leis que limitem a arbitrariedade patronal.
Pois bem, para nom permitir que sejam reduzidos a esta tam extrema situaçom de penúria, os operários iniciam a mais encarniçada luita. Vendo que cada um deles por si só é absolutamente impotente e vive sob a ameaça de perecer sob o jugo do capital, os operários começam a erguer-se, juntos, contra seus patrons. Dam início às greves operárias. A princípio é comum que os operários nom tenham nem sequer, umha ideia clara do que procuram conseguir, nom compreendem porque actuam assim: simplesmente quebram as máquinas e destroem as fábricas. A única cousa que desejam é fazer sentir aos patrons a sua indignaçom: experimentam suas forças mancomunadas para sair de umha situaçom insuportável, sem saber ainda por que sua situaçom é tam desesperada e quais devem ser suas aspiraçons.
Em todos os países, a indignaçom começou com distúrbios
isolados, com motins, como dim no nosso país a polícia e os patrons. Em
todos os países, estes distúrbios dérom lugar, de um lado, a greves mais
ou menos pacíficas e, de outro, a umha luita de muitas faces da classe operária
pola sua emancipaçom.
Mas que significado tenhem as greves na luita da classe
operária? Para responder a essa pergunta devemos deter-nos primeiro em examinar
com mais detalhes as greves. Se o salário dos operários se determina –como
vimos– por um convénio entre o patrom e o operário, e se cada operário por
si só é de todo impotente, torna-se claro que os operários devem necessariamente
defender juntos as suas reivindicaçons; devem necessariamente declarar-se
em greve, para impedir que os patrons baixem os salários, ou para conseguir
um salário mais alto. E, efectivamente, nom existe nengum pais capitalista
em que nom sejam deflagradas greves operárias. Em todos os países europeus
e na América, os operários sentem-se, em toda a parte, impotentes quando
actuam individualmente e só podem opor resistência aos patrons se estiverem
unidos, quer declarando-se em greve, quer ameaçando com a greve. E quanto
mais se desenvolve o capitalismo, quanto maior é a rapidez com que crescem
as grandes fábricas, quanto mais se vêem deslocados os pequenos polos grandes
capitalistas, mais imperiosa é a necessidade de umha resistência conjunta
dos operários porque se agrava o desemprego, aguça-se a competiçom entre
os capitalistas, que procuram produzir mercadorias de modo mais barato possível
(para o que é preciso pagar aos operários o menos possível), e acentuam-se
as oscilaçons da industrial e as crises. Quando a indústria prospera, os
patrons obtenhem grandes lucros e nom pensam em reparti-los com os operários:
mas durante a crise os patrons tratam de despejar sobre os ombros dos operários
os prejuízos. A necessidade das greves na sociedade capitalista está tam
reconhecida por todos nos países europeus, que lá a lei nom proíbe a declaraçom
de greves: somente na Rússia subsistírom leis selvagens contra as greves
(destas leis e de sua aplicaçom falaremos noutra oportunidade).
Mas as greves, por emanarem da própria natureza da sociedade
capitalista, significam o começo da luita da classe operária contra esta
estrutura da sociedade. Quando os operários despojados que agem individualmente
enfrentam os potentados capitalistas, isso equivale a completa escravizaçom
dos operários. Quando, porém, estes operários desapossados se unem, a cousa
muda. Nom há riquezas que os capitalistas podam aproveitar se nom encontram
operários dispostos a trabalhar com os instrumentos e materiais dos capitalistas
e a produzir novas riquezas. Quando os operários enfrentam sozinhos os patrons
continuam sendo verdadeiros escravos, trabalhando eternamente para um estranho,
por um pedaço de pam, como assalariados eternamente submissos e silenciosos.
Mas quando os operários levantam juntos as suas reivindicaçons e se negam
a submeter-se a quem tem a bolsa de ouro, deixam entom de ser escravos,
convertem-se em homens e começam a exigir que seu trabalho nom sirva somente
para enriquecer a um punhado de parasitas, mas que permita aos trabalhadores
viver como pessoas. Os escravos começam a apresentar a reivindicaçom de
se transformarem em donos: trabalhar e viver nom como queiram os latifundiários
e capitalistas, mas como queiram os próprios trabalhadores. As greves infundem
sempre tal espanto aos capitalistas porque começam a fazer vacilar o seu
domínio. "Todas as rodas se detenhem se assim o quer o teu braço vigoroso"
di sobre a classe operária umha cançom dos operários alemáns. Com efeito,
as fábricas, as propriedades dos latifundiários, as máquinas, as ferrovias,
etc., etc., som, por assim dizer, rodas de umha enorme engrenagem: esta
engrenagem fornece diferentes produtos, transforma-os, distribui-os onde
necessários. Toda esta engrenagem é movida polo operário, que cultiva as
terras, extrai os minerais, elabora as mercadorias nas fábricas, constrói
casas, oficinas e ferrovias. Quando os operários se negam a trabalhar, todo
esse mecanismo ameaça paralisar-se. Cada greve lembra aos capitalistas que
os verdadeiros donos nom som eles, e sim os operários, que proclamam os
seus direitos com força crescente. Cada greve lembra aos operários que a
sua situaçom nom é desesperada e que nom estám sós. Vejam que enorme influência
exerce umha greve tanto sobre os grevistas como sobre os operários das fábricas
vizinhas ou próximas, ou das fábricas do mesmo ramo industrial. Nos tempos
actuais, pacíficos, o operário arrasta em silêncio a sua carga. Nom reclama
ao patrom, nom reflecte sobre sua situaçom. Durante umha greve, o operário
proclama em voz alta as suas reivindicaçons, lembra aos patrons todos os
atropelos de que tem sido vítima, proclama os seus direitos, nom pensa apenas
em si ou no seu salário, mas pensa também em todos os seus companheiros
que abandonárom o trabalho juntamente com ele e que defendem a causa operária
sem medo das provocaçons.
Toda greve acarreta ao operário grande numero de privaçons,
tam terríveis que só se podem comparar com as calamidades da guerra: fame
na família, perda do salário, freqüentes detençons, expulsom da cidade em
que reside e onde trabalhava. E apesar de todas essas calamidades, os operários
desprezam os que se afastam de seus companheiros e entram em conchavos com
o patrom. Vencidas as calamidades da greve, os operários das fábricas próximas
sentem entusiasmo sempre que vêem os seus companheiros iniciarem a luita.
"Os homens que resistem a tais calamidades para quebrar a oposiçom
de um burguês, saberám também quebrar a força de toda a burguesia",
dizia um grande mestre do socialismo, Engels, falando das greves dos operários
ingleses. Amiúde, basta que se declare em greve umha fabrica para que imediatamente
comece umha série de greves em muitas outras fábricas. Como é grande a influência
moral das greves, como é contagiante a influência que exerce nos operários
ver seus companheiros que, embora temporariamente, se transformam de escravos
em pessoas com os mesmos direitos dos ricos! Toda greve infunde vigorosamente
nos operários a ideia do socialismo; a ideia da luita de toda a classe operária
pola sua emancipaçom do jugo do capital. É muito freqüente que, antes de
umha grande greve, os operários de umha fábrica, umha indústria ou umha
cidade qualquer, nom conheçam sequer o socialismo, nem pensem nele, mas
que depois da greve difundam-se entre eles, cada vez mais, os círculos e
as associaçons, e seja maior o número dos operários que se tornam socialistas.
A greve ensina os operários a compreender onde repousa
a força dos patrons e onde a dos operários; ensina a pensarem nom só no
seu patrom e nos seus companheiros mais próximos, mas em todos os patrons,
em toda a classe capitalista e em toda a classe operária. Quando um patrom
que acumulou milhons às custas do trabalho de várias geraçons de operários
nom concede o mais modesto aumento de salário e inclusive tenta reduzi-lo
ainda mais e, no caso de os operários oferecerem resistência, pom na rua
milhares de famílias famintas, entom os operários vêem com clareza que toda
a classe capitalista é inimiga de toda a classe operária e que os operários
só podem confiar em si mesmos e em sua uniom. Acontece muitas vezes que
um patrom procura enganar, de todas as formas, aos operários, apresentando-se
diante deles como um benfeitor, encobrindo a exploraçom dos seus operários
com umha dádiva insignificante qualquer, com qualquer promessa falaz. Cada
greve sempre destrói de imediato este engano, mostrando aos operários que
seu "benfeitor" é um lobo com pele de anho.
Mas a greve abre os olhos dos operários nom só quanto
aos capitalistas, mas também ao que se refere ao governo e às leis. Do mesmo
modo que os patrons se esforçam para aparecerem como benfeitores dos operários,
os funcionários e os seus lacaios esforçam-se para convencer os operários
de que o czar e o governo czarista se preocupam com os patrons e os operários
na mesma medida, com espírito de justiça. O operário nom conhece as leis
e nom convive com os funcionários, em particular os altos funcionários,
razom pola qual dá, freqüentemente, crédito a tudo isso. Eclode, porém,
umha greve. Apresentam-se na fábrica o fiscal, o inspector fabril, a polícia
e, nom raro, tropas, e entom os operários percebem que infringírom a lei:
a lei permite aos donos de fábricas reunir-se e tratar abertamente sobre
a maneira de reduzir o salário dos operários, ao passo que os operários
som tachados de delinqüentes ao se colocarem todos de acordo! Despejam os
operários das suas casas, a policia fecha os armazéns em que os operários
poderiam adquirir comestíveis a crédito e pretende-se instigar os soldados
contra os operários, mesmo quando estes mantenhem umha atitude serena e
pacifica. Dá-se inclusive aos soldados ordem de abrir fogo contra os operários,
e quando matam trabalhadores indefesos, atirando-lhes polas costas, o próprio
czar manifesta a sua gratidom às tropas (assim fijo com os soldados que
matárom grevistas em Iaroslavl, em 1895). Torna-se claro para todo operário
que o governo czarista é um inimigo jurado, que defende os capitalistas
e ata de pés e maos os operários. O operário começa a entender que as leis
som adoptadas em benefício exclusivo dos ricos, que também os funcionários
defendem os interesses dos ricos, que se tapa a boca do povo trabalhador
e nom se permite que ele exprima as suas necessidades e que a classe operária
deve necessariamente arrancar o direito de greve, o direito de participar
duma assembleia popular representativa encarregada de promulgar as leis
e de velar por seu cumprimento. Por sua vez. o governo compreende muito
que as greves abrem os olhos dos operários, razom porque tanto as teme e
se esforça a todo custo para sufocá-las o mais rápido possível. Um ministro
do Interior alemám, que ficou famoso polas suas ferozes perseguiçons contra
os socialistas e os operários conscientes, declarou em umha ocasiom, nom
sem motivo, perante os representantes do povo: "Por trás de cada greve
aflora o dragom da revoluçom". Durante cada greve cresce e desenvolve-se
nos operários a consciência de que o governo é seu inimigo e de que a classe
operária deve preparar-se para luitar contra ele polos direitos do povo.
Assim, as greves ensinam os operários a unirem-se; as
greves fazem-nos ver que somente unidos podem agüentar a luita contra os
capitalistas; as greves ensinam os operários a pensarem na luita de toda
a classe patronal e contra o governo autocrático e policial. Exatamente
por isso, os socialistas chamam as greves de "escola de guerra",
escola em que os operários aprendem a desfechar a guerra contra seus inimigos,
pola emancipaçom de todo o povo e de todos os trabalhadores do jugo dos
funcionários e do jugo do Capital.
Mas a "escola de guerra” ainda nom é a própria
guerra. Quando as greves alcançam grande difusom, alguns operários (e alguns
socialistas) começam a pensar que a classe operária pode limitar-se às greves
e às caixas ou sociedades de resistência
[1]
, que apenas com as greves a classe operária pode conseguir
umha grande melhora em sua situaçom e até sua própria emancipaçom. Vendo
a força que representam a uniom dos operários e até mesmo suas pequenas
greves, pensam alguns que basta aos operários deflagrarem a greve geral
em todo o pais para poder conseguir dos capitalistas e do governo tudo o
que queiram. Esta opiniom também foi expressada polos operários de outros
países quando o movimento operário estava em sua etapa inicial e os operários
ainda tinham muito pouca experiência.
Esta opiniom, porém, é errada. As greves som um dos
meios de luita da classe operária por sua emancipaçom, mas nom o único,
e se os operários nom prestam atençom a outros meios de luita, atrasam o
desenvolvimento e os êxitos da classe operária. Com efeito, para que as
greves tenham êxito som necessárias as caixas de resistência, a fim de manter
os operários enquanto dure o conflito. Os operários (comumente os de cada
indústria, cada ofício ou cada oficina) organizam essas caixas em todos
os países, mas na Rússia isso é extremamente difícil, porque a polícia as
persegue, apodera-se do dinheiro e prende os operários. Naturalmente, os
operários sabem resguardar-se da polícia; naturalmente, a organizaçom dessas
caixas é útil, e nom queremos dissuadir os operários de se ocuparem disso.
Mas nom se deve confiar em que, estando proibidas por lei, as caixas operárias
podam contar com muitos membros; e sendo escasso o numero de cotizantes,
essas caixas nom terám grande utilidade. Além disso, até nos países em que
existem livremente as associaçons operárias, e onde som muito fortes as
caixas, até neles a classe operária de modo algum pode limitar-se às greves
na sua luita. Basta que sobrevenham dificuldades na indústria (uma crise
como a que agora se aproxima da Rússia, por exemplo) para que os patrons
temporariamente provoquem greves, porque às vezes lhes convém suspender
temporariamente o trabalho e lhes é útil que as caixas operárias esgotem
os seus fundos. Daí nom poderem os operários limitar-se, de modo algum,
às greves e às sociedades de resistência.
Em segundo lugar, as greves só som vitoriosas quando
os operários já possuem bastante consciência, quando sabem escolher o momento
para desencadeá-las, quando sabem apresentar reivindicaçons, quando mantenhem
contacto com os socialistas para receber volantes e folhetos. Mas operários
assim ainda há muito poucos na Rússia, e é necessário fazer todos os esforços
para aumentar o seu número, tornar conhecida nas massas operárias a causa
operária, fazê-las conhecer o socialismo e a luita operária. Esta é a missom
que devem cumprir os socialistas e os operários conscientes, formando, para
isso, o partido operário socialista.
Em terceiro lugar, as greves mostram aos operários,
como vimos, que o governo é o seu inimigo e que é preciso luitar contra
ele. Com efeito, as greves ensinárom gradualmente à classe operária, em
todos os países, a luitar contra os governos polos direitos dos operários
e polos direitos de todo o povo. Como já dixemos, essa luita só pode ser
levada a cabo polo partido operário socialista, através da difusom entre
os operários das justas ideias sobre o governo e sobre a causa operária.
Noutra ocasiom referiremo-nos em particular a como se realizam na Rússia
as greves e a como devem utilizá-la os operários conscientes. Por enquanto
devemos assinalar que as greves som, como já afirmamos linhas atrás, umha
"escola de guerra”, mas nom a própria guerra; as greves som apenas
um dos meios de luita, umha das formas do movimento operário.
Das greves isoladas, os operários podem e devem passar,
e passam realmente, em todos os países, à luita de toda a classe operária
pola emancipaçom de todos os trabalhadores. Quando todos os operários conscientes
se tornam socialistas, isto é, quando tendem para esta emancipaçom, quando
se unem em todo o país para propagar entre os operários o socialismo e ensinar-lhes
todos os meios de luita contra os seus inimigos, quando formam o partido
operário socialista, que luita para libertar todo o povo da opressom do
governo e para emancipar todos os trabalhadores do jugo do capital, só entom
a classe operária se incorpora plenamente ao grande movimento dos operários
de todos os países, que agrupa todos os operários, e hasteia a bandeira
vermelha em que estám inscritas estas palavras:
"Proletários de todos
os países, unide-vos!"
[1]
As “caixas de resistência” correspondem ao fundo de greve.
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